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Cliente e plano de saúde

27 setembro 2010 No Comment

Ela teve seu contrato cancelado por um erro banal. A operadora se recusou a rever o caso e a cliente ficou sem atendimento.

Em São Paulo, uma dona de casa teve o seu contrato cancelado por um erro banal. A operadora se recusou a rever a situação e a cliente ficou quase dois meses sem atendimento. O problema é que ela não pode esperar: a dona de casa tem uma doença nos rins e precisa de uma cirurgia.

Quando mais precisava do plano de saúde, a dona de casa Lilian teve o contrato cancelado por um erro que não cometeu.

Desde 2008, Lilian era cliente do plano de saúde Medial. O problema começou quando ela deixou acumular as mensalidades de fevereiro e de março de 2010. Pela lei, um atraso de mais de 60 dias significa o cancelamento do plano.

Um dia antes do fim do prazo, ela procurou uma agência do banco Santander para pagar a dívida. Foi aí que aconteceu a confusão.

Em vez de pagar a mensalidade de fevereiro, a funcionária do banco autenticou o boleto de março. Lilian diz que só percebeu o engano no dia seguinte. Tarde demais: a agência já estava fechada. Ela perdeu o plano de saúde.

A atendente do convênio informa que o contrato não pode ser reativado. Lilian mostra a papelada Lilian conta à mediadora Neusa da Silva que o gerente do banco ligou várias vezes para o plano de saúde assumindo o erro.

No dia 11 de maio, ele mandou um fax com a confirmação por escrito. Nenhuma resposta.

Planos de saúde estão entre os maiores alvos de reclamações. Foram dez mil queixas ao PROCON de São Paulo em 2009.

Metade dos cancelamentos acontece por inadimplência, por outro lado, de acordo com os dados mais recentes da Agência Nacional de Saúde, a inadimplência é o motivo de metade dos cancelamentos de contratos individuais.

Mas para o especialista Alberto Germano em direito do consumidor, no caso de Lilian a empresa poderia ter agido de outra forma.

Existe a capacidade do plano de saúde, ao receber do banco aquele pagamento, que ele encaixe na parcela mais antiga devida.

O cancelamento veio em péssima hora.

A pedido do Fantástico, o nefrologista da Unifesp, Nestor Schor, analisou os exames de Lilian.

“É uma bactéria agressiva, que machuca o rim. É muito, muito, muito importante passar pela cirurgia, resolver o problema agora, imediato. O caso dela é potencialmente grave”, afirma o nefrologista.

Lilian conta que, antes de ser cliente medial, passou por uma primeira cirurgia nos rins. Sem sucesso.

“Eu fui parar na UTI. Fiquei com dois litros de sangue, só, no corpo. Tive parada cardíaca”, conta Lilian.

Ela estava prestes a ser operada novamente, desta vez, pela Medial. Mas com o cancelamento do plano, o período de carência voltou à estaca zero. Agora, por causa da doença preexistente, um novo contrato pode significar uma espera de dois anos.

Nossa reportagem procurou os médicos do plano de saúde para comentar a situação clínica de Lilian. Mas eles não quiseram gravar entrevista.

“Minha família toda, sabe, fica desesperada quando eu sinto dor. porque já sabem que é reação dos rins”, diz Lilian.

No Palácio da Justiça, em São Paulo, os advogados da Medial dizem que Lilian tem um histórico de atrasos.

Em 2009, foram dez mensalidades pagas depois do vencimento.

“Neste caso, houve realmente um problema de inadimplência que foi gerado por uma responsabilidade do banco”, explica o advogado da Medial Pedro Luís Ramos.

Eles afirmam que a empresa só foi informada oficialmente pelo banco quase dois meses depois do incidente.

Confira todos os passos da conciliação no vídeo.

Para compensar o transtorno, o banco Santander arcou com três parcelas ainda pendentes e zerou a dívida de Lilian. Em nota, reforçou que “desde o início manteve diálogo aberto para uma solução negociada”.

“É muito difícil ter uma discussão totalmente racional quando envolve saúde para nós, a parte boa é que a conciliação consegue criar um equilíbrio entre as partes que raramente a gente consegue ver fora daqui”, diz Max Gehringer.

Quase dois meses depois da audiência e já de volta ao plano, Lilian ainda não foi operada. O caso continua sendo discutido pelos médicos.

Consulte sempre um advogado de confiança, pois cada caso concreto é único e pode não se enquadrar nas hipóteses aqui mencionadas

Fonte. Globo.com- Fantástico-26/09/2010
Imagem pesquisa Google
Publicação Dra. Valéria Reani

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