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Descubra se você é um gastador compulsivo!

30 novembro 2010 No Comment

A falta de controle na hora das compras preocupa muitos brasileiros. Compradores compulsivos contam como evitar gastos desnecessários.

Quando a compulsão por comprar se apresenta de forma imponente, torna-se uma doença psicológica chamada Oniomania. O transtorno, caracterizado pelo descontrole dos impulsos, atinge cerca de 3% da população. Os portadores da Oniomania, também conhecidos como shopaholics ou consumidores compulsivos, frequentemente não conseguem resistir à tentação de comprar. Chegam a não pagar contas essenciais para gastar com supérfluos. A gratificação e a satisfação obtidas através da compra não os permitem avaliar a possibilidade de futuros prejuízos.

Entre os comportamentos mais comuns dos shopaholics estão esconder as compras da família ou do parceiro; mentir sobre a quantidade verdadeira de dinheiro gasto em compras; gastar em resposta a sentimentos negativos como depressão ou tédio; sentir euforia ou ansiedade durante a realização das compras; culpa, vergonha ou auto-depreciação como resultado das compras; dedicar-se muito tempo a fazer “malabarismos” com as contas ou com as dívidas para compensar os gastos; além de uma atracção incontrolável por cartões de créditos e cheques especiais.

Uma pessoa só é considerada um consumidor compulsivo se é incapaz de controlar o desejo de comprar e quando os gastos frequentes e excessivos interferem de modo importante em vários aspectos de sua vida. Antes de cometer o acto do qual não tem controle, é comum que o consumidor compulsivo apresente ansiedade e/ou excitação. Já durante a execução do acto, experimenta sensações de prazer e gratificação.
E quando, por algum motivo, são impedidos de comprar, os pacientes costumam relatar sensações como angústia, frustração e irritabilidade. A maioria apresenta culpa, vergonha ou algum tipo de remorso ao término do acto. As compras compulsivas podem levar a sérios problemas psicológicos, ocupacionais, financeiros e familiares que incluem a depressão, enormes dívidas e graves problemas nas relações amorosas. Vários estudos revelaram que a idade e a situação económica são os principais factores de risco para o desenvolvimento desse transtorno. Os investigadores descobriram uma percentagem mais elevada em jovens que ganham menos em relação aos indivíduos mais velhos e em melhor situação económica.

O comprador compulsivo consome pelo prazer de consumir e não pela real necessidade do objecto, e compra mais produtos relacionados à aparência como roupas da moda, sapatos, jóias e relógios. O descontrole é sem limites. Podemos traçar um paralelo entre as compulsões por compras e as dependências químicas. Em ambas, há perda de controle e o paciente expõe-se a situações prejudiciais para si e também para os outros. Assim como em alguns casos os dependentes químicos roubam para financiar os seus vícios, o compulsivo também pode recorrer a meios ilegais para continuar a comprar.

Compras compulsivas podem ser encontradas com muita frequência na fase maníaca do transtorno bipolar de humor, de exaltação do humor, quando existem sentimentos intensos de alegria e optimismo, associados à falta de capacidade para julgar com clareza as consequências dos actos cometidos; e também podem ser encontradas em portadores do transtorno obsessivo compulsivo (TOC), principalmente em pacientes com compulsões de coleccionismo.

Embora a compulsão por compras possa estar relacionada a outros transtornos, alguns factores presentes no dia a dia são facilitadores da compra descontrolada. Produtos à venda pela internet, canais de venda na televisão ou grandes promoções para acabar com o stoque são um grande perigo.

Infelizmente, a maioria dos shopaholics só costuma procurar ajuda quando as dívidas estão grandes e os gastos exagerados já acarretam problemas familiares, nos relacionamentos, em situações legais, ou até quando dão origem a episódios depressivos de intensidade importante. Em alguns casos, os portadores do transtorno só chegam ao consultório trazidos por familiares, amigos ou pelo companheiro. Quanto à origem do transtorno, acredita-se que haja algum déficit do neurotransmissor de serotonina, que reconhecidamente proporciona menor ocorrência de impulsividade. Desta forma, o tratamento pode envolver medicamentos como antidepressivos ou agentes estabilizadores do humor, e psicoterapia cognitivo-comportamental.

Dependendo do caso, duas outras medidas também devem ser levadas em consideração: frequentar grupos de autoajuda, como os devedores anónimos (DA) e nomear algum conselheiro financeiro, que possa orientar o paciente sobre as suas movimentações financeiras. Quando esse último procedimento ocorre, o paciente continua com a responsabilidade de pagar as suas contas, porém, não tem acesso a cartões de crédito e a cheques. É lhe dado apenas, semanalmente, uma quantia previamente combinada à qual se deve adequar. Além disso, as contas são acompanhadas por meio do fornecimento de recibos ao conselheiro financeiro. Esta é uma das formas de tentar combater a possibilidade de episódios de compulsão por compras. Conforme o indivíduo obtém progressos, ele retoma paulatinamente o pleno controle sobre suas finanças.

Assim, segundo especialistas é preciso admitir o problema e, na sequência, cortar todo tipo de crédito em cheques ou cartões. Se possível é bom pedir para um parente ou amigo que assuma as finanças desta pessoa que vive estourando o orçamento. 

Por fim, procurar ajuda. Compulsão não tem cura, mas pode ser controlada. Nas reuniões dos Devedores Anônimos de Londrina, os integrantes falam sobre suas obsessões e tentam aprender uns com os erros dos outros.

No desespero, também apelam para a fé e rezam a oração da serenidade:

“Concedei-me, senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; coragem para modificar aquelas que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras”.

No fim do ano, com o apelo das festas, o grupo reforça a vigilância. A primeira dica é perguntar a si mesmo: “estou precisando disso?” e, depois, contar até dez antes de abrir a carteira.

Para quem ainda está no começo da terapia, o conselho é evitar lojas e shoppings nesta época, mas se isso for inevitável, o jeito é amenizar o impulso, levando uma sacola vazia.

Você é um(a) devedor(a) ou gastador(a) compulsivo(a)?

Responda SIM ou NÃO:

1) Suas dívidas ou seus gastos estão fazendo sua vida familiar infeliz?
2) A pressão que sente vem atrapalhando seu trabalho?
3) Sua reputação está sendo afetada por seu descontrole?
4) Seus gastos ou suas dívidas estão fazendo você se menosprezar?
5) Você já deu informação falsa para obter crédito?
6) Já fez promessas irrealistas para seus credores?
7) Você é descuidado(a) quanto ao bem-estar de sua família?
8) Fica com medo de que os outros descubram o quanto você gasta ou deve?
9) Quando a situação financeira aperta, sente alívio ao pensar num empréstimo?
10) À noite, perde o sono lembrando dos gastos ou débitos?
11) Já teve vontade de beber para esquecer as dívidas?
12) Pegou dinheiro emprestado sem considerar a taxa de juros?
13) Espera uma resposta negativa quando analisam seu crédito?
14) Já planejou esquemas de pagamento que não levou adiante?
15) Justifica as dívidas dizendo que, algum dia, resolverá o problema?

RESULTADO:
Se você respondeu SIM a 8 ou mais questões, tudo indica que você tem um problema financeiro compulsivo ou está prestes a ter um.

Fonte G1.com.br/e Leonardo Gama Filho, Psiquiatra especialista
Wilson Kirsche Londrina, PR
Imagem pesquisa google
Publicação Valéria Reani

 

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