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Diarista vai à Justiça contra supermercado de São Paulo

27 setembro 2010 No Comment

Diarista escorregou num supermercado da periferia de São Paulo e quebrou o pulso esquerdo.

Era para ser um acidente bobo, apenas um susto, mas acabou virando o maior transtorno.

Dona Cícera Pinheiro escorregou num supermercado da periferia de São Paulo e quebrou o punho esquerdo.

O problema é que a diarista ficou impedida de trabalhar. Sem dinheiro, com dois filhos para criar e as contas se acumulando, ela se viu obrigada a pedir conciliação.

Mas, nessa história toda, qual é a responsabilidade do supermercado? Eles devem pagar indenização?

Dona Cícera não consegue levantar nem um copo com a mão esquerda.

A diarista levou um tombo no supermercado, quebrou o punho e está há quase quatro meses sem serviço.

Sem dinheiro para pagar as contas, ela quer indenização. Mas o supermercado, segundo dona Cícera, quer tirar o corpo fora.

O acidente aconteceu em maio, no supermercado Ricoy de Vila Natal, Zona Sul de São Paulo. A rede tem 80 lojas no estado.

Dona Cícera conta que estava perto da fila do caixa quando escorregou no chão liso e caiu.

“Eu pus a mão para trás. Aí o peso ficou todo no punho. Aí quebrou o punho. Eu gritei: ‘socorro, quebrei minha mão’. Comecei a chorar, desesperada”, lembra ela. Dona Cícera diz que foi socorrida pelos funcionários do Ricoy.

Num hospital público no Centro da cidade passou por uma cirurgia para colocar um pino no punho.

Sem ter como trabalhar, ela conta que procurou o supermercado.

“Pelo menos para eles me ajudarem a pagar minha água, minha luz”, diz dona Cícera.

A diarista calcula que ganhava R$ 1,5 mil por mês em faxinas, sem registro em carteira. Para ela, o Ricoy lavou as mãos.

“Até hoje eles nunca ligaram para saber de nada. Nem querem saber que eu existo. Estou vivendo de ajuda dos outros. Eu sei que isso não foi porque eu quis. Jamais eu ia cair dentro do mercado para me quebrar”, garante dona Cícera.

A previsão inicial para retirar o pino é novembro. O que mais incomoda a diarista é ter que depender dos outros. Dona Cícera mostra as contas em atraso e lamenta a situação em que está.

O supermercado Ricoy preferiu não se manifestar, mas contestou a versão da diarista de que o chão da loja estava escorregadio. Para a empresa, dona Cícera tropeçou no próprio chinelo.

Mas, segundo o desembargador Rizzato Nunes, se não for comprovada a culpa exclusiva da vítima, o estabelecimento deve dar assistência.

Procuramos os representantes do supermercado, mas eles não autorizaram uma entrevista.

Chega o dia da conciliação, no Palácio da Justiça.

O supermercado Ricoy tenta impedir a gravação, dizendo que não autoriza a nossa filmagem. Mas a audiência é pública. Os representantes da empresa, então, decidem não mostrar o rosto.

De um lado da mesa de conciliação estão sentados o diretor de marketing, a advogada e o diretor administrativo do grupo Ricoy. Do outro lado, dona Cícera e mais três advogados.

A diarista solta o verbo. “Nunca ligaram para minha casa. Nem para me dar nada, nem um comprimido. Nada, nada. Fizeram de mim que eu não era ninguém”, reclama.

A empresa alega que dona Cícera se machucou sozinha.

A proposta dos advogados de Cícera: o supermercado pagaria R$ 1,5 mil por mês até a diarista receber alta e ainda bancaria a cirurgia, remédios e fisioterapia.

Embora aceite custear o tratamento, a empresa rejeita o pedido de indenização. A conciliadora Gisele intervém.

Nada feito. O Ricoy pede nova avaliação médica. Uma segunda audiência é marcada para dali a 15 dias.

Entre a primeira e a segunda conciliação, novidades para dona Cícera. Ela ganhou cesta básica do supermercado, que também pagou exame em médico particular. E a cirurgia para a retirada do pino, prevista para novembro, foi feita em setembro, no mesmo hospital público onde a diarista foi operada quatro meses atrás.

Duas semanas depois, de volta ao Palácio da Justiça. Desta vez, apenas dois representantes do grupo Ricoy comparecem: o diretor administrativo e a advogada.

Eles mantêm a decisão de não aparecer na gravação. De acordo com o laudo médico, a diarista deve fazer pelo menos três meses de fisioterapia.

O supermercado se dispõe a pagar o tratamento, mas só oferece meio salário mínimo por mês.

A empresa sobe a oferta: um salário mínimo mensal.

Terceira proposta: R$ 800. O supermercado não avança e também se recusa a pagar danos morais. Mas, para melhorar o acordo, aceita dar R$ 1 mil para dona Cícera quitar as contas em atraso.

Dona Cícera vai ganhar R$ 800 por mês, a partir de agora, até ficar boa. E R$ 1 mil para saldar as dívidas. Fisioterapia, remédios e cesta básica, tudo por conta do supermercado. E depois da alta a empresa paga ainda um mês extra de pensão.

Mesmo não tendo recebido tudo o que queria, no fim das contas dona Cícera ficou satisfeita.

“Muito obrigado, muito obrigado, senhor Jesus. Fiquei muito contente mesmo. Com fé em Deus eu vou ficar boa logo, logo”, diz a diarista.

Consulte sempre um advogado de confiança, pois cada caso concreto é único e pode não se enquadrar nas hipóteses aqui mencionadas

Fonte. Globo.com- Fantástico-Caso Concreto26/09/2010
Imagem pesquisa Google
Publicação Dra. Valéria Reani

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