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Escritórios de advocacia buscam geração YouTube

27 outubro 2010 No Comment

Firmas criaram sites com o mesmo conceito e visual do YouTube.

Escritórios esperam convencer estudantes que são modernos e cabeça aberta.

Como os estudantes de direito que estão tentando selecionar como estagiários assistem ao YouTube, diversos escritórios de advocacia nos EUA estão tentando aproveitar essa descoberta como uma ferramenta de seleção de candidatos, criando vídeos de recrutamento e sites com o mesmo conceito e visual do YouTube. Os escritórios esperam convencer os estudantes de que seus advogados e, por extensão, os próprios escritórios, são modernos e cabeça aberta.

 A necessidade de atrair estagiários altamente qualificados é crucial. Eles integram o grupo de onde sai a maioria dos novos contratados.

 Mais de 19 mil formados ingressam em escritórios de advocacia por ano nos EUA. Até o momento, as iniciativas das firmas incluíram uma série de diálogos simples com os estagiários com vídeos divulgando a área de especialidade ou a diversidade da firma.

“Os vídeos ainda estão engatinhando”, declarou Brian Dalton, editor sênior de direito da Vault Reports, que classifica as firmas de advocacia. “Muitos acabam com um resultado bastante amador”.

 Há exceções!

A Choate Hall & Stewart, escritório de Boston com cerca de 200 advogados e mais de 100 anos de história, criou uma série inspirada nas propagandas “Mac versus PC” da Apple. Em vez de associados, os anúncios da Choate usaram atores.

Em quatro spots chamados “Choate versus Megafirm”, um associado azarado da concorrente Megafirm é visto tentando encontrar a pasta em uma das diversas salas de sua firma; todo amarrado com uma corda, explicando que a firma o colocou nas áreas de “arrendamento com alavancagem e financiamento para construção naval” quando ele na verdade queria contencioso; e vestindo terno com as barras da calça dobradas e uma bóia em volta da cintura, em suas férias a “trabalho”.

Uma colega de profissão, uma jovem estagiária da Choate, por sua vez, está bastante satisfeita enquanto explica como a vida lá é diferente. Assim como no YouTube, existem classificações, embora falsas, como a publicada por um visitante com o codinome “Jdhound”, que escreve, “Isso é tão profissional. O nosso site não é assim”.

Os vídeos da Choate foram criados pela Greenfield Belser, uma empresa de marketing de Washington especializada em escritórios de advocacia. O presidente da empresa, Burkey Belser, decidiu fazer uma paródia dos anúncios da Apple em parte devido à limitação de orçamento. A empresa cobrou da Choate US$ 75 mil pelos 4 anúncios e 20 depoimentos de 9 estagiários e outros advogados.

Belser contou que instruiu os estagiários da Choate a cortar os depoimentos para 30 segundos e dizê-los em uma poltrona de couro vermelha com a intenção de associá-la à escolha da firma pela cor vermelha. Em outra abordagem, o site de seleção da Morrison & Foerster, de São Francisco, desafia os estudantes de direito, perguntando se eles possuem o “encanto” necessário para entrar na empresa.

O site passou por mudanças no ano passado por uma parceira financeira, Anna T. Pinedo, que afirmou que a versão anterior era “maçante”. Um link na seção “achievements” (“conquistas”) traça a definição da firma de um fenômeno que chama de “rankfilia”. Ele oferece aos estudantes de direito a oportunidade de criar os próprios rankings, classificando desde quais são os legumes mais feios até os lanches mais viciantes. O mais popular entre os estudantes? Legumes mais feios.

Na Quinn Emanuel Urquhart Oliver & Hedges, firma de Los Angeles onde chinelos de dedo são aceitos como parte do vestuário, as tentativas de se mostrar descolada saíram um pouco pela culatra. A firma inaugurou um site que, entre outras coisas, deveria apresentar “Um dia na vida de um estagiário”.

O vídeo contava a história de Ivey, uma jovem morena, que aparece inicialmente revelando fotos e jogando Ultimate Frisbee. Ivey (na verdade, uma atriz) diz que obteve bacharelado em Yale e certificação em direito pela Stanford, e aparece vestindo camiseta justa, calças jeans e colares de pedras enquanto consulta os sócios.Mas, quando o site entrou no ar na semana passada, o vídeo ficou de fora. “Alguns estagiários e sócios acharam artificial demais. Talvez cafona seja uma palavra melhor”, declarou A. William Urquhart, sócia da empresa contratante.

Por outro lado, os depoimentos de estagiários da Ropes & Gray, empresa sediada em Boston, atêm-se estritamente ao trabalho. Os cinco segmentos, sendo cada um, uma montagem de vozes com duração de três minutos, começam com um estagiário dizendo, “Pessoas com problemas pequenos não procuram a Ropes & Gray”. (A empresa possui cerca de 850 advogados em cinco cidades dos Estados Unidos).

Uma das ferramentas usadas pelos estudantes para decidir para onde se candidatar é o Vault.com, que classifica as firmas de maior prestígio, com base nas opiniões de estagiários na web. Em uma das firmas da lista, a Sullivan & Cromwell, há 16 vídeos exibindo diálogos de advogados aparecendo no site. Cada um é uma edição de três minutos, filmada por Muffie Meyer, um documentarista cujo trabalho já foi veiculado na PBS.

“Os estudantes de direito às vezes têm a idéia de que as grandes firmas de Wall Street de prestígio são cheias de pessoas iguais”, declarou Frederic C. Rich, o sócio que supervisionou a produção dos vídeos. Os vídeos tinham a intenção de mostrar a diversidade de pessoas que trabalham lá. Rich aparece em um vídeo falando sobre a peça musical que ele realizou em uma sala de conferência da firma.

Em outro vídeo, Joseph C. Shenker, vice-presidente do escritório, judeu praticante e natural do Brooklyn formado pela City University de Nova York, afirma que não possui o histórico de vida que normalmente se associaria a alguém de uma firma outrora antiquada.

“A única preocupação das pessoas que trabalham aqui é a busca pela excelência”, afirmou ele, em conversa com Lisa A. Lofdahl, uma advogada que fala sobre a atitude de assumir a homossexualidade.

Norm Rubenstein, da Zeughauser Group, e ex-representante de marketing de três escritórios de advocacia, disse que os vídeos são interessantes porque são direcionados a uma “geração que considera a web como algo comum, que valoriza a rede social baseada na internet”.

“É isso que faz das ‘conversas’ em vídeo do site da Sullivan ou dos comerciais do site da Choate tão contundentes”, declarou Rubenstein. “Em comparação com a interação tradicional com clientes de peso, grandes negociações e disputas, isso expressa a verdadeira personalidade e de uma maneira marcante”.

ASSISTA AO VIDEO PROPAGANDA : Legal Ad Pro Intro

Fonte G1- Globo.com- Do New York Times
Imagem pesquisa google
Publicação Valéria Reani

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