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Especialistas alertam para apagão de mão de obra em alguns setores

22 fevereiro 2011 No Comment

Se o crescimento do Brasil continuar num ritmo forte há risco de faltar trabalhador.

A disputa das empresas por profissionais é boa para quem procura uma vaga ou quer mudar de emprego. Mas se o crescimento do Brasil continuar num ritmo forte há um risco muito grande de faltar trabalhador.

Os especialistas alertam que em alguns setores já existe um apagão de mão de obra. É o que mostra a última reportagem da série sobre o emprego no Brasil.

A fábrica de eletrodomésticos precisa produzir mais pra atender aos pedidos das lojas. Começou a contratar operários sem experiência.

“Eu aprendi agora. Tem cinco meses que eu estou aqui. Estou aprendendo. Estou gostando muito”, disse a auxiliar de produção Regina Ferreira da Silva.

A empresa oferece plano de saúde, cesta básica e participação nos lucros. No boca a boca está atraindo profissionais de outras indústrias.

“Vai falando, né. Tem lugar que é melhor. Você ganha mais. Beneficio. Aí você está num lugar que não tem, você já pensa melhor, né”, contou Ronaldo César Caetano, auxiliar de produção.

Em 2011, a fábrica pretende aumentar em 30% a produção e, é claro, vai ter que contratar mais empregados. Se já está difícil preencher as vagas já existentes, deve ficar pior ainda. E não é só nela, não. Em todo o país, especialistas em economia e em mercado de trabalho já falam do risco de apagão profissional.

“Nós já estamos vivendo isso de Norte a Sul do Brasil. Esse apagão que a gente chama apagão de talentos, porque qualquer pessoa, em qualquer nível, pessoas semi qualificadas estão faltando”, afirma o diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Luis Edmundo Prestes Rosa.

No estaleiro, em Ipojuca, Pernambuco, são 1,2 mil vagas abertas. Não preenchidas.

“Vai ser uma pedreira pra nós em termos de obtenção de mão de obra”, disse Gerson Belucci Miguel, diretor administrativo de relações institucionais.

Em Palmas, Tocantins, construtoras disputam os poucos engenheiros na cidade.

“Batem a porta do nosso local de trabalho nos convidando pra ir trabalhar pra elas. Eu acredito que eu tive umas 20 ofertas de emprego, no ano passado”, contou Flávio da Silva Ornelas, engenheiro civil.

“O que aconteceu agora é que as empresas estão sendo submetidas à boa vontade e ao leilão dos melhores profissionais. Isso é uma situação muito positiva, mas, perigosa pro país”, afirmou o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Resente.

O perigo de não encontrar profissionais.

Este é um momento diferente de outros em que o país experimentou crescimento econômico.

“Se nós fossemos varrer a história e observar na década de 30, nós estávamos ali com o esforço de Getúlio Vargas no plano de obras mostrando que esse país precisava ser construído. Tem depois com JK, o plano de metas. Tivemos um problema severo na economia brasileira na década de 80 e aí depois na segunda metade da década de 90 retomamos um certo crescimento e agora esse crescimento no esplendor”, afirmou a cientista política Erika Nahass Moura.

Seu José Lúcio, que entrou no mercado de trabalho no chamado “milagre econômico”, na década de 70, também está otimista. Hoje, ele gerencia uma das maiores obras em andamento no Brasil e acredita que o investimento em infraestrutura seja inevitável, mas depende de como o país vai encarar esse desafio.

“A gente podendo educar as pessoas, qualificar tecnicamente. O país vai dar um grande salto e chegar como nós estamos pensando em 2020 como a quinta potencia mundial”, disse o diretor institucional José Lúcio de Arruda.

Num mercado mais profissional e competitivo, até quem não sonha com carteira assinada tem mais chances se estiver preparado. Diego viu isso na prática. Largou um emprego e saiu de Santa Catarina pra montar um restaurante em Tocantins, há quatro anos. Hoje, tem dois restaurantes, uma cafeteria, uma sorveteria e duas lojas de roupas. Mas estudou administração de empresas antes de se aventurar.

“A gente tem que saber onde a gente está pisando. Não podemos dar um passo maior que a nossa perna. Tem que analisar o mercado, tem que ver os concorrentes lá”, contou o empresário Diego Passoni.

Quem ainda está na fila do emprego, como o porteiro Sílvio, sabe que a disputa por uma vaga continua. Mas com o aumento do número de oportunidades, o simples encaminhamento para uma entrevista de trabalho já é uma esperança.
Fonte Jornal Nacional de 22/02/G1.com

Imagem pesquisa google

Publicação Valéria Reani 

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