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Justiça autoriza quebra de sigilo eletrônico de atirador de escola

12 abril 2011 No Comment

TJ-RJ autoriza, e Google será obrigado a passar dados sobre atirador de Realengo

O TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) autorizou nesta terça-feira a quebra de sigilo eletrônico do atirador Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos. O jovem invadiu a Escola Tasso da Silveira na última quinta-feira e matou 12 crianças.

Agora, o Google do Brasil será obrigado a passar os dados sobre o criminoso à DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática). O pedido pretende esclarecer a participação direta e indireta de outras pessoas no massacre da escola.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou nesta terça-feira (12) a quebra de sigilo eletrônico de Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre no colégio Tasso da Silveira, em Realengo, na semana passada. A decisão da juíza Alessandra de Araújo Bilac, da 42ª Vara Criminal, obrigará o Google do Brasil -empresa que administra várias redes sociais e outras plataformas de comunicação- a passar dados sobre o criminoso à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).

A decisão judicial tem o objetivo de rastrear possíveis trocas de e-mails do atirador utilizando conta no serviço gratuito disponibilizado pela empresa como também possíveis contatos em redes sociais, como o Orkut, que pertence ao Google.

A expectativa dos investigadores é esclarecer a participação direta ou indireta de outras pessoas no ato criminoso. A DRCI leverá em conta que há indícios de que o atirador participava de algum grupo religioso, a partir das citações feitas por ele nos manuscritos encontrados pela polícia em Sepetiba, local no qual Oliveira residiu nos últimos oito meses.

Em alguns trechos, o criminoso menciona os nomes “Abdul” e “Phillip” e diz que “meditava sobre o 11 de setembro” (em referência ao dia do atentado terrorista contra as Torres Gêmeas, em Nova York, em 2001).

Além disso, Oliveira queimou o próprio computador e deixou uma mensagem que torna clara a sua intenção de proteger supostos “fornecedores”. Os técnicos da DRCI trabalham na tentativa de recuperar os dados do disco rígido (HD) da máquina.

Foto 56 de 59 – 11.abr.2011– Pessoas fazem oração em frente à escola de Realengo para homenagear as crianças mortas na tragédia Mais Helio Motta/UOL

Segundo a juíza, diante da gravidade dos fatos e do rumo das investigações, “há a necessidade de vasculhar os vestígios virtuais junto à empresa Google do Brasil, para conseguir mais informações sobre Wellington, e quaisquer outras pessoas que tenham participado do fato e os motivos que o levaram a cometê-lo”.

Ao deferir o pedido, a magistrada determinou que a remessa das respostas deve ser encaminhada diretamente à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática no prazo de duas horas, a partir do momento em que o Google receber a intimação.

Entenda o caso

Na quinta-feira (7), por volta de 8h30, Oliveira entrou na escola Tasso da Silveira dizendo que iria apresentar uma palestra. Já na sala de aula, o jovem sacou a arma e começou a atirar nos estudantes.

O atirador deixou uma carta com teor religioso, onde orientava como queria ser enterrado e deixava sua casa para associação de proteção de animais.

O ataque, sem precedentes na história do Brasil, foi interrompido após um sargento da polícia, avisado por um estudante que conseguiu fugir da escola, balear Oliveira no abdômen. De acordo com a polícia, o atirador se suicidou com um tiro na cabeça após ser atingido. Oliveira portava duas armas e um cinturão com muita munição.

Doze estudantes morreram –dez meninas e dois meninos–, e outros 12 ficaram feridos no ataque.

Na sexta (8), 11 vítimas foram sepultadas nos cemitérios da Saudade, Murundu e Santa Cruz. Já no sábado pela manhã, o corpo de Ana Carolina Pacheco da Silva, 13, o último a deixar o IML (Instituto Médico Legal), foi cremado no crematório do Carmo, no centro do Rio.

A polícia levará em conta algumas das citações feitas por Wellington nos manuscritos encontrado, em que há indícios de que o jovem participava de algum grupo religioso.

A investigação segue em sigilo.

 
Da Redação, com Band News FM
cidades@eband.
Publicação Valéria Reani

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