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Para garantir a velhice, comece a economizar aos 20 anos

4 outubro 2010 No Comment

Uma pesquisa feita em 12 países mostra que os brasileiros são os que mais contam com a família na velhice. Três em cada quatro entrevistados acham que vão ser sustentados por parentes.

Você está se preparando, se planejando para a velhice? Se você tem 20 ou 30 anos provavelmente vai responder que nem pensa nisso. Mas uma pesquisa internacional feita em 12 países, incluindo o Brasil, mostra que é melhor começar a pensar, e logo.

. Lembra da série ‘Tempo, o dono da vida?”. Reveja os episódios aqui

01.A aposentada Francisca Silva diz não saber como vai estar a sua vida daqui a 30 anos. “Só Deus que sabe”, diz aposentada.

“Sinceramente, eu não estou preocupado com isso”, confessa José Valério que diz não planejar o futuro para daqui a 30 anos.

“Será que eu vou durar esse tempo todo?”, pergunta uma mulher.

02.Dona Mercedes Andrade também não imaginava que chegaria tão longe. Quando ela tinha 50 anos não imaginava chegar aos 93 anos de idade. “Pensava que já tinha ido pro outro mundo. Achava que não ia viver tanto. Para quê? Dar trabalho pros outros”, conta dona Mercedes.

Dona Mercedes mora com a filha, Nilza, de 68 anos. Nilza já está aposentada. Mas ver a mãe passar dos 90 anos, lúcida e com saúde, fez com que ela repensasse o futuro. E percebesse que tem muitos anos pela frente. “Eu tenho que procurar uma qualidade de vida pra mim”, diz Nilza Andrade de 68 anos.

Os brasileiros estão vivendo mais. Muito mais. Com essa nova realidade, as pessoas têm que aprender a se organizar diferente pra velhice.

“A sociedade é outra. Não é mais uma sociedade que a vida se encerra aos 60 anos. Uma vida que se encerra aos 80, 90 ou 100 anos. Portanto, esses 40 anos a mais têm que ser obtidos de uma forma plena. Ou seja, tem que ter dinheiro, tem que ter trabalho, tem que ter lazer, tem que ter uma nova organização social”, explica o médico especialista em envelhecimento Renato Veras.

Mas o que significa se preparar para a velhice?

Os especialistas dizem o seguinte: com 50 anos, você tem que pensar como se tivesse 20, ou seja, planejar a sua vida pra pelo menos mais 30 anos. Aliás, você, já parou pra pensar como vai manter o seu padrão de vida na velhice?

Uma pesquisa de uma universidade inglesa, feita em 12 países, mostra que os brasileiros são os que mais contam com a família na velhice. Três em cada quatro entrevistados acham que vão ser sustentados por filhos ou parentes.

É o que acontece em uma casa. Dona Mercedes, depende da filha Nilza, que depende dos filhos, Sérgio e Naíse, já adultos e casados.

“Para eu manter meu padrão de vida com a TV a cabo, com a pessoa que cuida da minha mãe e ter uma pessoa que faça uma faxina regularmente na minha casa, eu preciso de um complemento de renda. E isso o meu filho me dá”, conta Dona Nilza. A senhora de 68 anos diz que se o filho não tivesse condições a vida seria mais difícil. “Que eu estou com o INSS que é de R$ 510. E o quê que dá? Não paga nada”.

Mesmo vendo essa situação de perto, Fátima Benjamim, 43 anos, que cuida da dona Mercedes, não está convencida de que precisa planejar o futuro. E, se ela pudesse guardar R$ 20 por mês, preferiria não guardar para comprar coisas que faltam em casa, pois ela não pensa no futuro.

Fátima é como a maioria dos brasileiros. Dos 1.005 brasileiros entrevistados 64% não se preparam financeiramente para a velhice. E isso pode ser perigoso!

O economista Luis Carlos Ewald, o popular Senhor Dinheiro, calculou quanto é preciso poupar para se ter uma velhice mais tranquila.

Vamos supor que você ganhe R$ 1 mil por mês e, quando se aposentar, queira manter o seu padrão de vida, ou seja, continuar ganhando R$ 1 mil por mês, além do INSS. Se você começar a poupar aos 20 anos, deve depositar, todo mês, 7% do seu salário. Ou seja, R$ 70.

Se começar aos 30 anos, são 14% do salário, R$ 140.

A conta vai crescendo.

Aos 40 anos, 29%. Quer dizer, R$ 290.

Aos 50, é bem mais que a metade do salário!! 69%, o que dá R$ 690 por mês.

“Ficou visível que o que importa é começar cedo. Se deixar pra depois, fica muito difícil. Muita coisa pode ser feita para se prevenir. Eu acho que pode continuar a trabalhar, acho que pode fazer um negócio seu, como autônomo, como consultor, e com isso garantir uma renda extra”, recomenda o economista Luis Carlos Ewald.

Nilza está seguindo esse conselho. “Eu faço informática, faço capacitação profissional, faço supletivo e faço espanhol. Eu sei que as possibilidades de um emprego aos 68 anos são mínimas, mas eu ainda tenho essa esperança de voltar a trabalhar”.

“Eu insisti muito pra que ela procurasse principalmente pra que ela mantivesse relações sociais diferentes. Aposentadoria não tem que ser necessariamente o fim de algo e sim o início de um outro processo”, diz Naíse Andrade, filha de Nilza.

Enquanto o novo emprego não aparece, Nilza tem a sorte de poder continuar contando com o apoio dos filhos. E pelo visto, os filhos dela também já tem com quem contar.

“Quando eles ficarem velhinhos, eu vou cuidar deles porque eu gosto deles”, conta o neto de Nilza Pedro Garcia.

“Eu acho que isso é o sentido de família. Eu acho que aí está embutido o sentimento da família”, acredita Nilza.

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Fonte: Globo.com 04/10/2010
Publicação Valéria Reani

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