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RESILIÊNCIA E INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NO TRABALHO

11 julho 2011 No Comment

A palavra resiliência é ainda nova para os ambientes corporativos. Originou-se na física, sendo a propriedade que alguns materiais têm de acumular energia, quando submetidos a um esforço e, cessado o esforço, retoma ao seu estado natural, sem sofrer deformações permanentes. Veja o caso de uma vara utilizada no salto de altura: quando o atleta toma impulso para saltar, a vara curva-se, acumula energia, projeta o atleta sobre o obstáculo e depois retorna ao seu estado normal sem deformações.

Por Dra. Valéria Reani

A psicologia tomou emprestado este termo para definir que pessoas resilientes são as que sofrem pressões e adversidades e mesmo assim conseguem manter-se em um estado normal, não se permitindo “quebrar” diante de tantos problemas e desafios do dia moderno.

Portanto, a resiliência consiste em equilíbrio entre a tensão e a habilidade de lutar, além do aprendizado obtido com obstáculos (sofrimentos).

Como este artigo aborda em especial a resiliência em ambiente de trabalho, é recomendado que toda empresa se preocupe com a resiliência de seus profissionais, pois o indivíduo que não possui ou não desenvolve a resiliência, pode sofrer severas conseqüências, que vão da queda de produtividade ao desenvolvimento das mais diferentes doenças psicossomáticas.

Atualmente, diante de tanta competitividade, instabilidade econômica e cobrança por resultados no cenário corporativo, o profissional é provado a manter o equilíbrio emocional. Todavia, para enfrentar todas essas adversidades, ele precisa desenvolver uma competência que tem conquistado cada vez mais espaço no meio organizacional e chamado a atenção da área de Recursos Humanos: a resiliência.

A IMPORTÂNCIA DA RESILIÊNCIA NO MUNDO ORGANIZACIONAL

A palavra de ordem nas empresas hoje é resultado e na maioria dos casos resultado é fazer “mais com menos”. Hoje o profissional tem que ser polivalente, cobrar o escanteio, correr e fazer o gol de bicicleta. São várias as reuniões em que Diretores Corporativos têm que apresentar o andamento de algumas metas que foram estabelecidas e ao final da reunião ter ainda duas ou mais metas estabelecidas para serem cumpridas. Agora alie tudo isso à crise global que o planeta está vivendo; é muita pressão e adversidade junta e o profissional tem que se manter inteiro, continuando a dar resultados positivos.

SAÚDE MENTAL

Uma pesquisa da International Stress Management Association (ISMA), entidade presente em vários países, demonstra que 82% dos profissionais brasileiros apresentam ansiedade em vários graus, como: –

Dores musculares, sentidas em 96% dos entrevistados;

Angústia, por 78%;

Momentos de agressividade, em 52%;

Problemas gastrointestinais, em 32%.

Esses números evidenciam que os profissionais brasileiros necessitam desenvolver a habilidade da resiliência; isto é, sofrer pressões e adversidades, pois elas são inevitáveis, e mesmo assim continuar apresentando resultados positivos e ao mesmo tempo mantendo seu estado físico e psicológico normal.

O perfil do profissional que apresenta tal competência. Ele existe?

Existe sim!A principal característica deste profissional é a ação assertiva. Ele não foca no problema, e sim na solução dele. Pessoas sem esta competência tendem a ficar com raiva da adversidade, impedindo enxergar as possíveis soluções e outras pessoas tendem a entrar na tristeza ou no medo, sentimentos que paralisa a ação. O profissional resiliente não permite entrar nestes sentimentos e com isto toma decisões e parte para a ação.

A Inteligência Emocional como  desenvolvimento da resiliência nas pessoas

Em muitos momentos falta aos funcionários a tão famosa, mas pouco utilizada, inteligência emocional. De acordo com Daniel Golleman, há uma explicação neurológica para um comportamento agressivo, mediante situações desagradáveis. O cérebro humano foi formado de baixo para cima, isto é, as primeiras estruturas do cérebro iniciam na parte de baixo e com a evolução outras ramificações foram formadas até chegar ao topo da cabeça. Os homens das cavernas tinham apenas a parte inferior formada e nela há uma estrutura pequena chamada amídala, onde ficam armazenadas nossas emoções boas e ruins. Assim que nossos antepassados ouviam ou viam algo, esta informação era enviada à amídala que determinava a reação dele. Ou seja, se aparece um animal, a amídala dava a ordem: Fuja” ou “Ataque-o“; a amídala dava uma ordem emocional, por impulso, sem questionar muito a situação.

Já o homem moderno, além de ter a amídala, também possui uma estrutura próxima à testa chamada neocortex que comanda nossas ações racionais, é a parte pensante do cérebro, isto é, questiona e pensa a melhor forma de executar alguma tarefa.

Segundo Golleman, o problema é que a informação chega primeiro à amídala e apenas depois chega ao neocortex. Portanto, se o que está acontecendo no ambiente externo é muito intenso, a amídala pode dar o comando de Fuja
ou “Ataque
antes que o neocortex diga calma,  vamos montar um plano de ação para resolver este problema mais assertivamente“.

Este processo chama-se “sequestro da amídala”, onde ela não permite que o neocotex aja.

Acredita-se que uma pessoa resiliente consegue desativar o sequestro da amídala, não permitindo reações impulsivas, elas fazem aquele famoso “contar até dez”, para que a informação chegue ao neocortex e seja processada racionalmente, não permitindo assim cometer excessos que fatalmente serão catastróficos para uma solução eficaz.

Eistein já dizia:um problema não pode ser resolvido no mesmo estado emocional que ele foi criado ou descoberto“.

O papel do profissional de RH para o desenvolvimento da resiliência no ambiente corporativo

A missão dos profissionais de RH (Recursos Humanos) é proporcionar o desenvolvimento desta habilidade nos colaboradores das empresas, seja através de treinamentos, palestras ou leitura de livros. Estes profissionais devem introduzir a resiliência no “hall” de competências a serem desenvolvidas pelos funcionários das organizações. Note que em todo momento temos medo, tristeza e raiva, gerando paralisações nas tomadas de decisões ou atitudes impeditivas que nos arrependemos depois. Portanto, buscar o equilíbrio emocional para estes momentos é fundamental para o sucesso do funcionário e conseqüentemente da empresa.

DICAS PARA O RH AUMENTAR A CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA DE SEUS FUNCIONÁRIOS :

Melhorar preparação do indivíduo para lidar com pressões;

Fornecer meios de reduzir pressões desnecessárias reconhecendo como elas são criadas e mantidas;

Desenvolver   a capacidade de se adequar e flexibilizar ás situações sem perder os objetivos.

DICAS PARA VOCÊ AUMENTAR SUA CAPACIDADE DE RESILIÊNCIA

Imaginar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade

Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação

Praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam endorfinas e testosterona que, conseqüentemente, proporcionam sensação de bem-estar

Procurar manter o lar em harmonia, pois este é o “ponto de apoio para recuperar-se”

Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a autoconfiança

Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom

Assumir riscos (ter coragem)

Tornar-se um “sobrevivente” repleto de recursos no mercado profissional

Apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas)

Separar bem quem você é e o que faz

Usar a criatividade para quebrar a rotina

Examinar e reflitir sobre a sua relação com o dinheiro

Permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer, para em seguida retornar ao estado original

Existem várias formas de buscar a revisão comportamental que vai desde um auxílio psicológico, em caso extremo, até a participação em treinamentos de focam os comportamentos humanos.

Por fim, vale salientar o caso de um Diretor Presidente de uma grande empresa que sempre dá as boas vindas aos novos funcionários com seguinte frase:

As pessoas são contratadas pelas suas habilidades técnicas, mas são demitidas pelos seus comportamentos“.

Portanto, nada mais justo do que buscarmos o conhecimento para sermos mais resilientes!

Referências Bibliográficas:

MARIM, José A.. Anotações da disciplina de Teoria e Desenvolvimento Empresarial do Curso de Pós-Graduação. PUC-Campinas, 2011.

GOLLEMAN,  Daniel.  Trabalho com Inteligência Emocional – Tradução M.H.C. Cortês. Rio de Janeiro 2001/2002

Dra. Valéria Reani

Advogada, Especialista em Direito do Trabalho,

Pós Graduada em Gestão Empresarial

Consultora Empresarial, Palestrante Mantenedora
do site www.valeriareani.com.br

 

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