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TDAH -Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. O QUE É ISSO?

19 dezembro 2010 No Comment

 TDH (Transtorno de Déficit de Atenção) – TDAH ( Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade)

Hiperatividade

  Há aproximadamente vinte anos quando nos deparávamos com uma criança irrequieta, agitada, que se levantava constantemente, não parava um instante se quer e tinha problemas relacionais com seus pares dizíamos que essa criança tinha uma disfunção cerebral. Interessante notar que não eram muitas com as quais lidávamos.

Atualmente podemos observar um número significativo de crianças com esses sintomas.

Pais de crianças hiperativas, inicialmente, não conseguem entender porque elas não param, porque têm problemas sociais importantes, porque são tão desorganizadas, porque são tão impulsivas e se culpam pela educação oferecida.

Atualmente há um aumento da conscientização a respeito do TDA (Transtorno de Déficit de Atenção) e do TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade).

Muitas são as pesquisas e estudos desenvolvidos sobre o tema.  Observa-se que, em grande parte dos casos diagnosticados, o sujeito é portador de um ou mais distúrbios psicológicos, tais como ansiedade, variações de humor, impulsividade e problemas de aprendizado.

Estudos recentes situam a prevalência do TDAH entre 3% e 6% em crianças com idade escolar. Esse transtorno causa grande impacto na sociedade se considerarmos seu alto custo financeiro, o estresse nas famílias, o prejuízo acadêmico, os efeitos negativos na auto-estima das crianças e dos jovens.  Outro ponto de discussão e de reflexão é o risco aumentado de desenvolverem outras doenças psiquiátricas tanto na infância quanto na adolescência ou na idade adulta.

O que é TDA / TDAH?

 As famílias com crianças portadoras de TDA / TDAH experimentam problemas cotidianos intensos. Enfrentam mais tensão e mais discussão do que outras famílias.

Para um diagnóstico de TDA ou TDAH, a pessoa precisa apresentar um padrão de desatenção e/ou hiperatividade – impulsividade que se encaixe nos seguintes critérios:

1.      Persistência: o comportamento tem de persistir por pelo menos seis meses.

2.      Início precoce: os sintomas têm de estar presentes antes da idade de 7 anos.

3.      Freqüência e gravidade: a desatenção e ou a hiperatividade – impulsividade devem ter um caráter extraordinário quando comparadas às de pessoas da mesma idade.

4.      Claras evidências de deficiência: o padrão comportamental do TDA precisa causar uma interferência significativa na capacidade funcional da pessoa.

5.      Deficiência em um ou mais cenários: os sintomas causam problemas sérios em contextos múltiplos, inclusive na escola, em casa e em situações sociais.

  

O DSM-IV (sigla em inglês para o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios Mentais) apresenta duas listas com nove sintomas cada uma. A primeira lista inclui manifestações de Desatenção:

                        I.   Não consegue prestar muita atenção em detalhes ou comete erros por descuido;

                       II.   Tem dificuldade em manter a atenção no trabalho ou no lazer;

                      III.   Não ouve quando abordado diretamente;

                      IV.   Não consegue terminar as tarefas escolares, os afazeres domésticos ou os deveres do trabalho;

                       V.   Tem dificuldade em organizar atividades;

                      VI.   Evita tarefas que exijam um esforço mental prolongado;

                    VII.   Perde coisas;

                   VIII.   Distrai-se facilmente;

                      IX.   É esquecido.

A segunda lista também consta de nove sintomas, sendo que seis são ligados à Hiperatividade e três à Impulsividade:

           Hiperatividade:

                        I.   Tamborila com os dedos ou se contorce na cadeira;

                       II.   Sai do lugar quando se espera que permaneça sentado;

                      III.   Corre de um lado para o outro ou escala coisas em situações em que tais atividades são inadequadas;

                      IV.   Tem dificuldade de brincar em silêncio;

                       V.   Age como se fosse “movido a pilha”;

                      VI.   Fala em excesso;

Impulsividade:

                    VII.   Responde antes que a pergunta seja completada;

                   VIII.   Tem dificuldade de esperar a vez;

                      IX.   Interrompe os outros ou se intromete.

 Se a criança se encaixa em seis ou mais itens das listas, o diagnóstico é Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, Tipo Combinado.

Se a criança se encaixa nos nove itens relacionados à Desatenção, mas não se encaixa em seis dos nove itens relacionados à Hiperatividade / Impulsividade podemos dizer que ela é portadora de um Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, Tipo Predominantemente Desatento. É o TDA sem hiperatividade.

 Abordaremos, com mais detalhes, cada uma das características que normalmente acompanham o TDA.

 Desatenção ou tendência à Distração:

A atenção das crianças com TDA é extremamente pequena. Ela não consegue manter sua atenção em uma só tarefa ou atividade, principalmente se ela a considera chata. Quando questionada do que ela não gosta na escola possivelmente ela dirá: das tarefas. Para elas é um esforço significativo tentar concentrar-se nas tarefas. À medida que ficam mais velhas, as crianças com TDA começam a sentir-se burras e correm o risco de serem acusadas de preguiçosas. Essas crianças têm um período bem limitado de atenção e só a conseguem se a tarefa apresenta uma novidade, se tem alto valor de interesse, por intimidação ou por ficar a sós com um adulto.

Normalmente ocorrem distrações visuais, auditivas, somáticas e de fantasia. As visuais são as que estão dentro do campo de visão da criança como, por exemplo, alguém que passa perto dela ou um inseto voando, desviando-a do trabalho. Distrações auditivas são sons que a criança ouve e a incomodam como, por exemplo, o tique-taque do relógio. Distrações somáticas são sensações corporais que desviam a atenção da criança como, por exemplo, a costura da meia fora do lugar. Distrações de fantasia são pensamentos ou imagens que passam pela mente da criança e que a afastam das tarefas como, por exemplo, o seu novo brinquedo.

 Impulsividade

 Agir sem pensar ou fazer o que vem à cabeça sem pensar e se preocupar com as conseqüências. Na sala de aula uma criança é também reconhecida como portadora de TDA pela tendência a responder antes mesmo da pergunta ser terminada. Em algumas situações ela procurará dizer coisas com a intenção de ser engraçada ou de “dar uma de esperta”. Essas ações são de difícil administração por parte dos colegas e dos professores.

A impulsividade é extremamente prejudicial à interação social da criança. Se frustrada ela pode gritar com os colegas, pode até mesmo agredi-los fisicamente ou empurrá-los para ter as coisas do seu jeito. 

Crianças com TDA costumam mentir que a lição de casa já está pronta, para se livrar do aborrecimento de fazê-la.

Dificuldade de Esperar Ser Atendido (Impaciência)

Esperar é algo com que as crianças com TDA não conseguem lidar. Quando elas colocam na cabeça que querem alguma coisa, elas podem ser imensamente insistentes até conseguirem realizar seu desejo. 

Já na escola, a dificuldade de esperar sua vez pode ser manifestada de várias formas: empurrar para ser a primeira da fila, para sair em primeiro lugar para o recreio. O trabalho tem uma aparência de desorganização, a caligrafia pode ser descuidada. As crianças com TDA, em sua maioria, apresentam problemas de coordenação motora fina ou de coordenação visual-motora fina ou até mesmo uma combinação de ambos.

Duas situações de extrema ansiedade e impaciência são vivenciadas no dia de aniversário e no Natal. A criança fica em grande excitação querendo ganhar logo os presentes.

Hiperatividade

Hiperatividade significa inquietação motora excessiva e agressiva. É como se a criança estive “ligada na tomada”. A tendência é de que, com o crescimento, a hiperatividade diminua.  As garotas com TDA costumam ser menos hiperativas e impulsivas.

 Superexcitação Emocional

 Grande intensidade de sentimento acompanha a criança hiperativa. Normalmente, ela não consegue enfrentar apenas um pouco de emoção. Pelo contrário, para ela tem sempre que ser bastante. Elas vivem intensamente a felicidade ou o entusiasmo e a raiva. Ao ficar muito excitada, a criança com TDA poderá entrar numa rotina denominada “hiperboba”. “Ela poderá correr de maneira frenética, falar alto, agir como um pateta e, em geral, fazer-se de tola”.  (FHELAN, 2005, p.25). Todos, à volta, perceberão a cena inusitada, apenas a criança com TDA não se dará conta, pois ela é insensível a essas situações sociais. A crianças portadoras desse transtorno não são capazes de perceber o desprazer que estão causando, nem mesmo são capazes de ouvir o que lhes é dito. Ao ficar com raiva, elas podem ter ataques de birra, de uma fúria insana. Momentos como esses podem levar quem assiste a pensar que essas crianças são ou não psicóticas. O mais admirável é que esses momentos desaparecem tão rapidamente quanto começaram, deixando os presentes perplexos.

Pesquisas recentes mostram que além de momentos de entusiasmo e raiva, outras emoções podem ser exageradas, como por exemplo, a ansiedade, a depressão, a tristeza, a baixa auto-estima.

 Desobediência 

 É bem normal dizer que a criança com TDA não tem limites, não segue regras. O conhecimento ou não das regras não é o problema. Elas são capazes até mesmo de ditar as regras combinadas, no entanto, num momento de superexcitação emocional o descontrole toma conta delas. “O TDA não é um problema de não saber o que fazer, é um problema de fazer o que se sabe”. (FHELAN, 2005, p.27).

A desobediência típica do TDA é a razão pela qual entre 50% a 60% das crianças se encaixem no diagnóstico do DSM para o Transtorno e Desafio e Oposição (TDO). Essas crianças perdem a paciência com facilidade, parecem se ressentir de tudo, gostam de irritar os outros e de culpá-los por qualquer coisa que dê errado. Às crianças com TDA, nunca podemos pedir que façam três coisas em seqüência. Possivelmente ela conseguirá cumprir uma só. O fato dela atender sua solicitação já é incomum.

Problemas sociais

As crianças com TDAH encontram sérias dificuldades sociais. É muito provável que sejam rejeitadas pelo grupo, enquanto as portadoras de TDA são ignoradas, principalmente com as crianças do mesmo sexo. Grande maioria das crianças portadoras do TDA é enérgica, mandona, agressiva, competitiva, com

baixa tolerância à frustração. É bem provável que fique isolada do grupo ou tenda a brincar com crianças mais novas que ela. As crianças TDA do Tipo Desatento são mais fáceis de lidar do que as crianças TDA do Tipo Combinado ou Confrontador.

 Desorganização

Uma das características da criança TDA é a desorganização,  o esquecimento. Ocorre de estudar para uma prova, saber a matéria e na hora esquecer-se de tudo o que sabia. Ela pode também ter uma má noção de tempo e lugar. Se ela é do tipo combinado seu comportamento é mais destrutivo por causa da sua impaciência, impulsividade, superexcitação emocional, hiperatividade, desobediência e agressividade social.

Uma criança portadora de TDA dificilmente conseguirá se auto-regular ou se autocontrolar. Como reage impulsivamente não se dá tempo e nem aproveita a oportunidade de usar as quatro funções executivas essenciais à auto-regulação. Essas funções incluem a memória operacional (capacidade de manter fatos relevantes em mente), discurso interno (falar consigo mesmo), regulação emocional (acalmar-se, motivar-se) e reconstituição (criar uma solução ou resposta útil).

Para a criança com TDA tanto do Tipo Desatento quanto do Tipo Combinado com Hiperatividade a escola é um lugar de grande sofrimento. A escola exige que o sujeito fique parado e concentrado em temas que, geralmente, são considerados desinteressantes. Uma das palavras mais usadas pela criança TDA, para referir-se à escola, é chata. Sua dificuldade em lidar com as regras e com o autocontrole é um transtorno na sala de aula. Normalmente essa criança sobressai-se pelo aspecto negativo: não se conter para falar, falar alto demais, levantar-se constantemente e cutucar o colega são comportamentos que desencadeiam uma série de problemas importantes a serem resolvidos pela professora e pelos colegas. 

O relacionamento entre o professor e o portador de TDA é de grande importância para uma melhor convivência deste com seu grupo de trabalho. Em geral a criança com TDA tem desempenho abaixo da média. Bem cedo ela descobre que não gosta da escola. O fato de apresentar facilidade de desconcentração, grande desorganização, ser inquieta, imensamente sonhadora faz com que, normalmente, a criança fique atrasada com seus deveres. Essa criança passa a ter sua atenção constantemente chamada o que implica em redução da auto-estima. Para se conseguir algum êxito a criança deverá receber uma ordem de cada vez e quando ela conseguir cumpri-la sem desviar a atenção, o solicitante pode considerar que essa foi uma situação especial.

O relacionamento da criança TDA com a família é demasiadamente desgastante, principalmente para a mãe. É ela quem recebe o choque de um filho de comportamento difícil. Geralmente, a criança do Tipo Desatento não é perturbadoramente agressiva e nem barulhenta em casa. Ela pode ter um temperamento conciliatório e ser de fácil convivência. Podem parecer desmotivadas e lentas no processamento das informações. São esquecidas e distraídas. Têm problemas para organizar e terminar as atividades, acordar e sair de casa pela manhã, fazer a tarefa de casa ou de classe.

Já a criança TDA do Tipo Combinado com Hiperatividade enfrenta grandes problemas comportamentais tanto em situações de brincadeiras quanto em sala de aula. Normalmente ela é bem mais ruidosa, tem freqüentes lapsos de autocontrole o que dificulta sua participação em jogos que necessitam de regras

e se conter. Sua baixa tolerância à frustração é um grande problema, pois qualquer coisa é motivo para grandes tempestades. É costumeiro ela procurar burlar ou modificar as regras em seu benefício. A criança hiperativa e impulsiva tem muita dificuldade em compartilhar e não presta muita atenção em que seus colegas querem fazer. Por isso, quase sempre não são convidadas para ir à casa dos colegas, às festas de aniversário. Como elas são insensíveis a insinuações sociais, verbais e não-verbais, elas acabam não se dando conta do quanto são desagradáveis. Tentar acalmá-las ou aconselhá-las é desastroso. Faz-se necessário tirar a criança da situação por um tempo para que ela se acalme. Nas discussões, a tendência é que a criança TDA culpe o seu colega pelo problema. Tudo isso tem como conseqüência o isolamento.

Um fator importante lembrar é que a criança TDA tem um grau de maturidade menor que ao da sua idade cronológica, portanto é natural que ela procure a companhia de crianças bem mais novas para brincar, pois ela tende a ser maior que as crianças mais novas e assim poderá ser o líder. Possivelmente ela conseguirá as coisas do seu jeito  e esse arranjo é bom para ela uma vez que lhe causará menos frustrações.

 Como diagnosticar?

 Inicialmente entrevista com os pais.

Ouvi-los sem julgamento é muito importante. Os pais são a fonte mais vital de informação. O TDA é hereditário. Possivelmente eles se identificarão com algumas descrições. Essa tomada de consciência pode fazer com que seja possível tratá-los como portadores de TDA adulto.

Após a entrevista com os pais, realiza-se a entrevista com a criança. Esse encontro tem como objetivo excluir outros distúrbios como a psicose, descobrir o quanto a criança está disposta a conversar, obter o máximo de informações sobre com ela vê a escola, sua casa, sua vida social. Pode ser que nesse encontro suas atitudes sejam tranqüilas, que se mostre defensiva.

As informações recebidas dos professores também são de extrema importância.  São eles que convivem e observam as crianças em situações que exigem atenção e concentração para o trabalho. O convívio social entre pares é outro fator de observação por parte do professor. Portanto, suas considerações são de grande importância para o diagnóstico. Possivelmente serão ouvidos comentários do tipo “sempre andam de lá para cá”, “atrapalha os colegas”, “responde sem pensar”, “desiste facilmente de uma tarefa”, “provoca”, “sempre reclama que o colega começou o conflito”, “nem sempre admite a culpa sem antes culpar o outro”, etc.

 Co-morbidade e Distúrbios Correlatos ao TDA

Recentes pesquisas confirmam antigas suspeitas de que o TDA vem acompanhado de outros problemas psicológicos. Observa-se que há uma grande sobreposição entre o TDA e o TDO (Transtorno de Desafio e Oposição).

Enquanto as crianças com TDA podem se mostrar antipáticas por causa da hiperatividade e impulsividade, mas sem a intenção de irritar as pessoas, as crianças com TDO, ao contrário, têm, antes de tudo, grande problema com a autoridade. Mostram-se desafiadoras, resistentes, desobedientes, com temperamento difícil, brigam e culpam os outros por seus próprios erros. São rancorosas e vingativas e tentam, propositadamente, irritar os outros. Freqüentemente quebram as regras.

Duas situações de extrema ansiedade e impaciência são vivenciadas no dia de aniversário e no Natal. A criança fica em grande excitação querendo ganhar logo os presentes.

·      Hiperatividade

 

Hiperatividade significa inquietação motora excessiva e agressiva. É como se a criança estive “ligada na tomada”. A tendência é de que, com o crescimento, a hiperatividade diminua.  As garotas com TDA costumam ser menos hiperativas e impulsivas.

 

·      Superexcitação Emocional

 

 Grande intensidade de sentimento acompanha a criança hiperativa. Normalmente, ela não consegue enfrentar apenas um pouco de emoção. Pelo contrário, para ela tem sempre que ser bastante. Elas vivem intensamente a felicidade ou o entusiasmo e a raiva. Ao ficar muito excitada, a criança com TDA poderá entrar numa rotina denominada “hiperboba”. “Ela poderá correr de maneira frenética, falar alto, agir como um pateta e, em geral, fazer-se de tola”.  (FHELAN, 2005, p.25). Todos, à volta, perceberão a cena inusitada, apenas a criança com TDA não se dará conta, pois ela é insensível a essas situações sociais. A crianças portadoras desse transtorno não são capazes de perceber o desprazer que estão causando, nem mesmo são capazes de ouvir o que lhes é dito. Ao ficar com raiva, elas podem ter ataques de birra, de uma fúria insana. Momentos como esses podem levar quem assiste a pensar que essas crianças são ou não psicóticas. O mais admirável é que esses momentos desaparecem tão rapidamente quanto começaram, deixando os presentes perplexos.

Pesquisas recentes mostram que além de momentos de entusiasmo e raiva, outras emoções podem ser exageradas, como por exemplo, a ansiedade, a depressão, a tristeza, a baixa auto-estima.

 

·      Desobediência 

 

É bem normal dizer que a criança com TDA não tem limites, não segue regras. O conhecimento ou não das regras não é o problema. Elas são capazes até mesmo de ditar as regras combinadas, no entanto, num momento de superexcitação emocional o descontrole toma conta delas. “O TDA não é um problema de não saber o que fazer, é um problema de fazer o que se sabe”. (FHELAN, 2005, p.27).

  

A desobediência típica do TDA é a razão pela qual entre 50% a 60% das crianças se encaixem no diagnóstico do DSM para o Transtorno e Desafio e Oposição (TDO). Essas crianças perdem a paciência com facilidade, parecem se ressentir de tudo, gostam de irritar os outros e de culpá-los por qualquer coisa que dê errado. Às crianças com TDA, nunca podemos pedir que façam três coisas em seqüência. Possivelmente ela conseguirá cumprir uma só. O fato dela atender sua solicitação já é incomum.

 

·      Problemas sociais

 

As crianças com TDAH encontram sérias dificuldades sociais. É muito provável que sejam rejeitadas pelo grupo, enquanto as portadoras de TDA são ignoradas, principalmente com as crianças do mesmo sexo. Grande maioria das crianças portadoras do TDA é enérgica, mandona, agressiva, competitiva, com baixa tolerância à frustração. É bem provável que fique isolada do grupo ou tenda a brincar com crianças mais novas que ela. As crianças TDA do Tipo Desatento são mais fáceis de lidar do que as crianças TDA do Tipo Combinado ou Confrontador.

 ·      Desorganização

 

Uma das características da criança TDA é a desorganização,  o esquecimento. Ocorre de estudar para uma prova, saber a matéria e na hora esquecer-se de tudo o que sabia. Ela pode também ter uma má noção de tempo e lugar. Se ela é do tipo combinado seu comportamento é mais destrutivo por causa da sua impaciência, impulsividade, superexcitação emocional, hiperatividade, desobediência e agressividade social.

Uma criança portadora de TDA dificilmente conseguirá se auto-regular ou se autocontrolar. Como reage impulsivamente não se dá tempo e nem aproveita a oportunidade de usar as quatro funções executivas essenciais à auto-regulação. Essas funções incluem a memória operacional (capacidade de manter fatos relevantes em mente), discurso interno (falar consigo mesmo), regulação emocional (acalmar-se, motivar-se) e reconstituição (criar uma solução ou resposta útil).

Para a criança com TDA tanto do Tipo Desatento quanto do Tipo Combinado com Hiperatividade a escola é um lugar de grande sofrimento. A escola exige que o sujeito fique parado e concentrado em temas que, geralmente, são considerados desinteressantes. Uma das palavras mais usadas pela criança TDA, para referir-se à escola, é chata. Sua dificuldade em lidar com as regras e com o autocontrole é um transtorno na sala de aula. Normalmente essa criança sobressai-se pelo aspecto negativo: não se conter para falar, falar alto demais, levantar-se constantemente e cutucar o colega são comportamentos que desencadeiam uma série de problemas importantes a serem resolvidos pela professora e pelos colegas. 

O relacionamento entre o professor e o portador de TDA é de grande importância para uma melhor convivência deste com seu grupo de trabalho. Em geral a criança com TDA tem desempenho abaixo da média. Bem cedo ela descobre que não gosta da escola. O fato de apresentar facilidade de desconcentração, grande desorganização, ser inquieta, imensamente sonhadora faz com que, normalmente, a criança fique atrasada com seus deveres. Essa criança passa a ter sua atenção constantemente chamada o que implica em redução da auto-estima. Para se conseguir algum êxito a criança deverá receber uma ordem de cada vez e quando ela conseguir cumpri-la sem desviar a atenção, o solicitante pode considerar que essa foi uma situação especial.

O relacionamento da criança TDA com a família é demasiadamente desgastante, principalmente para a mãe. É ela quem recebe o choque de um filho de comportamento difícil. Geralmente, a criança do Tipo Desatento não é perturbadoramente agressiva e nem barulhenta em casa. Ela pode ter um temperamento conciliatório e ser de fácil convivência. Podem parecer desmotivadas e lentas no processamento das informações. São esquecidas e distraídas. Têm problemas para organizar e terminar as atividades, acordar e sair de casa pela manhã, fazer a tarefa de casa ou de classe.

Já a criança TDA do Tipo Combinado com Hiperatividade enfrenta grandes problemas comportamentais tanto em situações de brincadeiras quanto em sala de aula. Normalmente ela é bem mais ruidosa, tem freqüentes lapsos de autocontrole o que dificulta sua participação em jogos que necessitam de regras  

Crianças portadoras de Transtorno de Conduta (TC) também burlam regras. Acrescido a este fato, têm a intenção de magoar os outros. São mais agressivas que as crianças com TDO. Ameaçam, intimidam e brigam. Podem ser cruéis com os animais e com as pessoas. Jovens com TC roubam, forçam atividades sexuais, incendeiam e destroem propriedades. Crianças com TDO, se não cuidadas, podem evoluir para o TC à medida que os anos se passam.

 Meninos e meninas portadores de TDA têm tendência para apresentarem distúrbio de ansiedade múltipla: ansiedade de separação, distúrbio generalizado de ansiedade e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). Fobia social e crises de pânico podem se desenvolver em crianças mais velhas.

Depressão grave são episódios caracterizados por um humor depressivo e/ ou um interesse muito reduzido por quase tudo. Sintomas como: mudança de peso, fadiga, nervosismo, aumento ou diminuição de sono, sentimentos de inutilidade, baixa concentração e pensamento de morte, irritabilidade podem estar sinalizando Depressão grave.

Distúrbio Bipolar é caracterizado pelos extremos – altos e baixos – de comportamento e humor. Ela vivencia períodos de depressão e períodos de grande alegria, expansivo ou irritadiço. Versões graves são conhecidas como episódios maníacos (destrutivos para o trabalho, para a vida social e familiar – sentem-se maravilhosos, não entendem por que estão causando preocupação) e versões menos graves são chamadas de hipomaníacos (menos grave e destrutiva que a mania).

É de grande complexidade a distinção entre esses dois distúrbios: TDA e Distúrbio Bipolar.

O humor de criança bipolar tem um ciclo mais lento que as crianças com TDA. Seus ataques de birra – tempestades afetivas – são piores do que o das crianças com TDA. A destrutividade da criança TDA ocorre pela desatenção ou impulsividade, já a da criança bipolar é proposital. O TDA tende a diminuir com a idade, já o bipolar tende a piorar. Os estimulantes podem piorar o comportamento das crianças bipolares, enquanto os estabilizadores de humor ajudam. Crianças bipolares têm pesadelos e sonhos sangrentos enquanto que crianças TDA não.

Tratamento:

 

Uma vez constatado o diagnóstico faz-se necessário o início do tratamento. Pais e criança devem ser preparados para  se planejar e dar início ao tratamento. Importante deixar claro que TDA é um problema crônico que não será superado com o tempo. Portanto, o tratamento também será crônico. O tratamento com medicamento é bem seguro e eficaz. Possivelmente deverão ser indicadas intervenções psicossociais e psicofarmacológicas.

A primeira consta de informações claras e precisas à família a respeito do transtorno. Os pais precisarão aprender a lidar com o sintoma da criança. Há necessidade de profundo conhecimento das melhores estratégias para auxiliar seus filhos, de um programa de treinamento de como lidar com os sintomas dos filhos. A psicoterapia individual de apoio será indicada no caso de comorbidades (principalmente transtornos depressivos e de ansiedade) e na abordagem de sintomas que acompanham o TDAH (baixa auto-estima, dificuldade de controle de impulsos e capacidades sociais pobres). A modalidade psicoterápica mais indicada é a cognitivo-comportamental.  As crianças portadoras do TDA necessitam de um local silencioso e sem estímulos visuais para estudarem.

Pesquisas mostram que apenas acompanhamento psicoterápico não é suficiente para resolver o problema. Há necessidade de que o acompanhamento seja farmacológico também. Este, sim, quando correto e adequado é fundamental no manejo do transtorno.

Intervenções no ambiente escolar fazem-se necessárias. O foco deverá ser o desempenho escolar. As professoras carecem de orientação para a lida com as crianças portadoras de TDA. A rotina diária deverá ser consistente, o ambiente escolar deverá ser previsível para ajudar a criança na manutenção do controle emocional. O uso de estratégias de ensino ativo que incorporem a atividade física com o processo de aprendizagem é fundamental. As tarefas não podem ser longas e necessitam de explicação passo a passo. O aluno portador de TDA necessita de atendimento individualizado, de sentar-se na primeira fila na sala de aula, próximo à professora e longe da janela. As crianças portadoras do TDAH necessitarão de reforço em determinadas disciplinas, quando apresentarem lacunas no aprendizado. Um acompanhamento psicopedagógico é importante para contribuir com a organização e com o planejamento do tempo de atividades.

  

Melhoras consideráveis podem ocorrer no comportamento e desenvolvimento pedagógico  se:

·      a criança hiperativa não ficar isolada do grupo;

·      as tarefas forem curtas e intercaladas para que possam ser concluídas antes de acontecer a dispersão;

·      os resultados forem elogiados sem exageros;

·      jogos e desafios forem usados para motivação das crianças;

·      comandos e instruções forem repetidos, individualmente, de forma breve com uso de frases de fácil entendimento;

·      for solicitado que a criança repita o comando para garantir que o mesmo foi ouvido e entendido;

·      a criança tiver uma função oficial como a ajudante da professora (isso pode melhorar o relacionamento da criança hiperativa com os colegas e abrir espaço para que elas se movimentem mais);

·      os limites forem mostrados de forma segura e tranqüila, sem atritos.

Outro fator importante é desenvolver um trabalho psicomotor para melhorar o controle do movimento, uma vez que normalmente a criança apresenta problemas psicomotores. 

 

A lida na sala de aula:

 

As estatísticas revelam que, atualmente, em uma sala de aula de 20 a 25 crianças, uma é portadora desse transtorno. 

Acertar como lidar, administrar a sala de aula com uma criança TDA torna os dias mais agradáveis e produtivos para as demais crianças e para os professores.

É imprescindível que o professor tenha consciência de que há necessidade de conduzir de forma mais firme seus sentimentos relacionados às atitudes da criança TDA. Irritar-se frente ao comportamento desagradável não serve de incentivo para um melhor comportamento. Entrar em guerra com a criança TDA não será benéfico para ninguém. 

É importante ter clareza de que esse transtorno é neurológico, portanto essa deficiência está escondida. A criança parece normal, mas não é. “A criança não pode se comportar normalmente porque ela é portadora do Transtorno de Déficit de Atenção e não tem como desligá-lo quando quer” (Phelan, 2005, p. 192). O professor tem que aprender a lidar com essa criança do jeito que ela é, capaz de torturá-lo tanto quanto aos seus pais e colegas. Não se pode esperar dessa criança um comportamento do qual ela não é capaz. 

É evidente que não é fácil lidar com a criança TDA. Admitir para si mesmo a irritação, não iniciar uma guerra agredindo a criança com comentários do tipo “quem acha que o fulano está se comportando como uma criança de 1ª série?”, ajustar as expectativas que se pode ter dessa criança, aprender sobre o TDA, pois o conhecimento leva à compreensão.  Ser TDA é ter problema de autocontrole de base neurológica, é hereditário, não é falta de educação, não é falta de limites. Ser prestativo aceitando o fato de que essas crianças necessitam de intervenções diretas e freqüentes por parte do professor incluindo reforço positivo, orientações e definições de limites é outro ponto de grande importância.

  

Intervenções eficazes devem seguir algumas estratégias:

·      Feedback imediato – elogio do comportamento positivo, repreensão e estabelecimento de conseqüências para o comportamento problemático;

·      Feedback freqüente – a criança TDA necessita de lembretes amigáveis;

·      Conseqüências mais pesadas – o reforço para a criança TDA tem que ser mais efetivo do que os que são usados para as demais crianças, como por exemplo, pontos em uma tabela, cartões coloridos, direito a participar de atividades especiais;

·      Incentivos antes das punições – as conseqüências positivas devem ser usadas primeiro e com mais freqüência do que as punições ou reprimendas;

·      Ações falam mais alto do que palavras – um adulto agitado, excessivamente emocional não conseguirá bons resultados com uma criança TDA;

·      Consistência – a criança TDA necessita de previsibilidade e estrutura em sua vida cotidiana, pois tem dificuldades para lidar com mudanças;

·      Planejamento antecipado de problemas – pensar em uma criança TDA é substituir a expectativa com o comportamento por o que é possível fazer para ajudá-la a lidar melhor com o cotidiano da sala de aula;

·      Lembre à criança qual é o plano – a criança TDA esquece-se facilmente das regras, dos combinados, tem 30% de defasagem quanto à maturidade perante os seus colegas, portanto há necessidade de lembrá-la de forma concisa das regras, do plano de trabalho.

·      Exigir dela o que ela é capaz de dar e não ter grandes expectativas – alguns comportamentos poderão ser ignorados como, por exemplo, o sentar-se de forma incorreta, agitar-se muito na carteira, mexer em excesso com seus objetos, materiais, não conseguir estabelecer um contato visual com a professora quando ela está falando. A essas atitudes procurar intervir com delicadeza, gentileza solicitando que repita as últimas instruções, usar de um “sinal secreto” de conhecimento só dos dois como, por exemplo, colocar a mão no ombro.

·      Com comportamentos destrutivos – fazer palhaçadas ou outras violações faz com que a criança sofra conseqüências imediatas como passar um curto período em uma área predeterminada na sala, sair temporariamente da situação, perder privilégios.

 

Para contribuir na prevenção de problemas é interessante que a professora permita que a criança vá ao banheiro, levante-se para apontar um lápis, seja sua ajudante buscando algo em outra sala, desloque-se de uma cadeira para outra para fazer uma atividade, coloque sua carteira na frente, bem próxima à professora.

É bem-vindo que a professora tenha cuidado com a educação cooperativa ou aprendizado em equipe, propicie oportunidades da criança expressar seus pontos fortes, reforce verbalmente os seus esforços, administre a sala de aula de modo que a criança saiba o que se espera dela, ajude-a a estruturar o seu tempo.

Ajudar a criança a organizar sua carteira deixando apenas os materiais em uso, ter a tarefa dividida em pequenas partes, passar-lhe as instruções o mais objetivas e resumidas que for possível, verificar se realmente ela entendeu o que é para ser feito, checar se ela está fazendo a tarefa, ajudá-la a guardar a lição feita, de forma organizada, conferir se as lições de casa foram devidamente copiadas são atitudes por parte da professora que muito contribuirão para que a criança dê o melhor de si.

 

Conclusão

 

O transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é uma síndrome psiquiátrica bastante comum em crianças e adolescentes.

O diagnóstico é clínico. Envolve coleta de dados com a família, com a criança e com a escola. A síndrome é caracterizada por desatenção, hiperatividade e impulsividade e apresenta alta taxa de comorbidades, em especial ligadas ao comportamento.

O tratamento envolve intervenções psicossociais e psicofarmacológicas, sendo que o metilfenidato, até então, é a medicação de maior eficácia.

 

Saiba mais sobre o assunto e legislação AQUI 

 

 

 

 

 

Bibliografia:

 

PHELAN, W. Thomas. TDA/TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e   Hiperatividade. 2005. São Paulo. M. Books do Brasil Editora Ltda.

SILVA, Ana Beatriz B. Mentes Inquietas. 2003. 15ª edição. Ed. Gente.

ROHDE, Luís Augusto. BARBOSA, Genário. TRAMONTINA, Silzá. POLANCZYK, Guilherme. Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade.

Publicação feita por Valéria Reani

Trabalho TCC. Maria Inez Generoso, Professora, Pedagoda, Coordenadora de Escola

Imagem pesquisa google

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